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sexta-feira, 5 de junho de 2009

Até o limite

“Você jura dizer a verdade, somente a verdade, nada mais que a verdade, sobre as penas da lei?” Essa frase, sempre repetida em julgamentos nos grandes filmes hollywoodianos, poderia muito bem ser o último teste necessário para se obter o diploma de jornalista. Mas como não é feita, podemos levantar a seguinte questão: Qual é o limite do jornalista para conseguir fama, dinheiro, ou apenas subir na carreira?
O filme “O preço de uma verdade” (2003) levanta essa questão. O filme conta a história – real – do jornalista Stephen Glass, um jovem jornalista que conseguiu sucesso com muita velocidade, graças ao seu carisma e, principalmente, à sua criatividade.
Trabalhando para uma das maiores revistas do país, a “The New Republic”, Glass era conhecido por precocemente ser um dos jornalistas mais conceituados – e queridos – na redação. Tudo isso graças a uma farsa criada por ele. Dos 41 artigos que escrevera para a revista, descobriu-se mais tarde que 27 eram falsos, das notícias às fontes, tudo minuciosamente preparado para parecer verdade. A criatividade que tanto fora elogiada, volta-se contra o próprio jornalista, num jogo que acabou mal para ele.
O que leva um profissional a fazer o que Glass fez? Nem ele mesmo sabe. O ex-jornalista e hoje advogado disse certa vez em entrevista que faz terapia até hoje para descobrir o que se passou em sua mente. Poderíamos elencar aqui alguns pontos que podem ser a razão disso. Um deles é o fato de que para subir na vida, se faz qualquer coisa. Qualquer coisa mesmo, desde que a promessa no fim de tudo seja um bom salário. No caso do jornalismo, os profissionais devem tomar cuidado com todo o glamour que a profissão oferece. Muitos fazem quatro anos de faculdade apenas para conseguir fama. Mesmo que para isso, tenham que agir impensadamente, passando por cima de valores e de outras pessoas.
Colocados de maneira bastante interessante, surgem alguns problemas éticos enfrentados diariamente pelos jornalistas. Até que ponto deve-se proteger o sigilo das fontes? Até onde deve ir o apoio incondicional do veículo ao seu staff? E talvez a mais importante delas, até que ponto os jornalistas recém formados tem capacitação para serem responsáveis eticamente?
Por mais absurdo que pareça, a mentira no jornalismo é mais comum que se pode imaginar. Desde a invenção de fontes para uma matéria não cair, até mesmo criar todo o conteúdo da matéria. Uma das explicações para isso pode ser a pressão que existe sobre o profissional para sempre ter uma notícia que atraia ao leitor, com a ‘qualidade’ do veículo.
Com um orçamento modesto, cerca de seis milhões de dólares, o filme é bem construído, colocando a vista, problemas que todo veículo jornalístico gostaria de esconder. Não que dentro deles se pratiquem ilegalidades – o que também não quer dizer o contrário –, mas afeta a credibilidade do veículo. Coisa fundamental para a sobrevivência nessa profissão. É um filme que todo estudante de jornalismo deveria ver, e rever, depois estudar sobre, para que não tenhamos mais casos como esse. Mas, fora eles, quando se trata do resto do público, não é um filme que seja indispensável na lista de “filmes que verei na vida”.

4 comentários:

  1. Né? =P

    Mas eu bem que queria inventar um a matéria inteira. Deve ser super divertido!!

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  2. O filme já está na minha lista. =)
    A responsabilidade que como jornalistas teremos em mãos é muito séria mesmo. Foi criada essa idéia de que o que tratamos é somente da verdade, e isso já é problemático. Deliberadamente inventar fatos, então... outro filme que fala muito sobre isso é Montanha dos Sete Abutres. Velhaco, mas muito bom.
    Passa lá no blog depois, tem post novo ^^

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  3. Este comentário foi removido pelo autor.

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  4. Boa indicação de filme, cara! Vou baixar! =P

    rsrs

    Sobre a mentira no jornalismo... Acho que combater isso é parte da promessa de "um jornalismo de qualidade" que a academia tanto faz para defender os diplomas da área. Publicar mentiras é uma falta de respeito com o leitor, principal razão de ser de quem escreve uma notícia.

    Mas tem o outro lado também, mentir para conseguir uma matéria. Omitir identidade de jornalista, se passar por outra pessoa e tals. Aí acho que há o que se discutir, porque, pra mim, o interesse público deve estar acima de tudo... mas essa é outra discussão! XD


    "Um deles é o fato de que para subir na vida, se faz qualquer coisa. Qualquer coisa mesmo, desde que a promessa no fim de tudo seja um bom salário".

    Comassim??????

    rsrsr

    Bom texto! Quando escrever mais, me avise!

    www.tresbananas.blogspot.com

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